Durante as últimas semanas, diversos meios de comunicação publicaram que situação entre a Adobe e a Apple não vai nada bem. Não somos amantes da Apple nem grandes defensores da Adobe, ambas tem suas razões no que dizem, mas em meio a essa batalha existem consumidores perdidos e empresas de desenvolvimento que precisam se adequar.
Quem possui um Ipod Touch, por exemplo, eventualmente visita sites que não possuem uma versão mobile específica, e apresentam Flash no seu conteúdo. Muitas vezes a indisponibilidade do conteúdo flash compromete a navegação, e o visitante, sem ter o que fazer, abandona o site. Ou seja: perde o cliente, que não encontra o que deseja, e perdem também o site e sua empresa mantenedora, que frustra um cliente.
O que esse cliente deve fazer? Comprar um Nexus One (telefone da Google que roda conteúdos Flash) ou outro telefone? Fechar o site e se conformar? Esse é o ponto de vista do usuário, o cliente final. Agora vejamos outra perspectiva: aqui na Involves desenvolvemos muitos de nossos sistemas em Flex (da família Adobe). O Flex gera um arquivo SWF que roda em uma página HTML, exatamente como se faz no Flash. Ou seja, ao acessar um de nossos sistemas em um Iphone, Ipod Touch ou Ipad, o usuário irá se deparar com o famoso “Lego Azul”, que indica a existência de um conteúdo SWF.
Nesse momento temos duas saídas, até três. A primeira seria utilizar tecnologias alternativas, passar toda a camada de visualização para um HTML, utilizar Ajax, utilizar algumas APIs para melhorar o aspecto da interface, e perder grande parte da usabilidade e interatividade promovidas pelo Flex. A segunda seria adquirir um Mac e desenvolver com o seu SDK específico para Iphone, Ipod e Ipad. Ou seja, aprender uma nova linguagem de programação, estudar, estudar e estudar. A terceira seria alertar o usuário que o sistema é em Flex e não poderá ser executado em uma dessas plataformas da Apple, e fim de papo. Com exceção da terceira opção, a Adobe é a maior prejudicada.
Há duas semanas com o lançamento da suíte CS5 da Adobe acreditou-se que veríamos o Flash rodando perfeitamente no Iphone, ledo engano. O que vimos foi uma “carta-artigo” de Steve Jobs (veja aqui) no site da Apple, e um vídeo mostrando como o Flash desbanca fácil o HTML5 e o Javascript no site da Adobe (veja aqui).
Em um tempo que se fala tanto de convergência digital, ou seja, dispor para os usuários a maior gama possível de serviços nas mais diversas plataformas, de forma integrada, é um retrocesso ver duas empresas desse porte divergirem tanto nesse aspecto. Deveria se pensar nos clientes finais e parceiros de desenvolvimento, mas a realidade nesse caso é justamente o contrário.


Curiosamente, muitos designers que utilizam e gostam do flash, simultaneamente apreciam os produtos Apple, pela história da empresa, e pela referência que ela é para o design. Se o Google “abraçar” o flash, formando uma parceria com a Adobe, essa discussão vai mais ainda longe: os fanáticos por Apple e os Google-maníacos nunca vão concordar.
Realmente, deveriam pensar em uma alternativa comum que beneficiasse o cliente final, e não tomar rumos drasticamente opostos, que imponham a estes clientes escolhas divergentes.
ótimo post, vou falar que fiquei surpreso com a diferença entre o HTML5 e o Flash Player 10.1.. não espera que fosse tão gritante!